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24/05/2021 - Conheça a realidade pesca artesanal de Fortim

Na cidade de Fortim, bem como em outras comunidades pesqueiras do Ceará, existe grande diversidade de espécies capturadas. Ali, a pesca é praticada de forma não seletiva, envolvendo toda a unidade familiar.

Mas, apesar de sua importância socioeconômica, a atividade pesqueira vem sofrendo uma série de baixas nas últimas décadas, como o aumento da salinização, a poluição e a redução dos estoques pesqueiros e da biodiversidade em geral. Esses impactos são consequência de práticas como a pesca predatória, a carcinicultura e a explosão da prática esportiva do kitesurf.

Diante da necessidade de se obter maior conhecimento sobre essa realidade, a Superintendência do Ibama no Ceará e lideranças pesqueiras locais solicitaram um estudo, durante os anos de 2015 a 2018, realizado nas comunidades de Jardim de Baixo, Jardim de Cima, Sede de Fortim, Canto da Barra e Viçosa.

A técnica do Instituto Agropolos do Ceará e doutora em Ciências Marinhas Tropicais, Marli Araújo, foi convidada a participar do trabalho, com foco no fortalecimento da pesca artesanal da tainha. “Além de possibilitar a segurança alimentar das famílias, a atividade pesqueira proporciona a aquisição de outros itens necessários, tais como alimento, vestimenta, calçado e medicamento para essas famílias”, pontua.

Aberta a temporada

No caso da tainha, a pesca ocorre o ano todo. Porém, é mais frequente nos meses entre abril e junho, logo após o período das chuvas. O tempo de duração de uma pescaria leva de 4 a 6 horas. A maior parte do pescado vai para a subsistência, e o excedente é vendido no comércio local ou a um atravessador.

Os pescadores apontam a pesca predatória como um dos principais problemas para a manutenção da espécie, assim como o despejo de dejetos e lixo e a carcinicultura em regiões próximas. “Por isso, é necessário discutir formas de manejo mais adequadas, construir acordos de pesca, medidas de ordenamento e gestão do uso dos espaços de pesca, bem como de outros ambientes necessários à sobrevivência das comunidades pesqueiras”.

Kitesurf

Outro problema sinalizado pelos pescadores é a prática do kitesurf, principalmente no estuário do Rio Jaguaribe, que provoca a dispersão dos cardumes e a fuga de gaivotas, fato que gerou um processo de mobilização dos pescadores para cobrar dos gestores municipais e legisladores medidas de proibição e/ou regulação da prática do esporte. À época, a organização dos pescadores de Fortim contava com um quadro de associados com 1.336 pessoas entre ativos e inativos.

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