10 de maio de 2010
Yes, exportemos bananas
A banana que sai do Brasil para a Europa entra com uma taxação de 176 euros por tonelada. Herança de uma política protecionista praticada pela Europa em favor de ex-colônias na África, no Caribe e no Pacífico, os chamados países ACPs. Mas há uma esperança brotando no peito de quem produz no Brasil. No acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul - em fase de retomada - uma das cláusulas diz respeito diretamente à fruta. O Brasil leva à mesa o pedido de isenção de taxas para 120 mil toneladas de banana - o dobro do que o País vende hoje para a União Europeia.
O diretor jurídico e de relações institucionais da Del Monte, uma das três maiores do mundo na fruticultura mundial, Newton Assunção, faz contas alvissareiras para a hipótese de aprovação do acordo. "Caso o acordo seja fechado, a Del Monte assegura que pode até quadruplicar seus investimentos em bananas no Nordeste". Por Nordeste entendam-se Ceará e Rio Grande do Norte. Os dois estados produzem a totalidade da banana exportada pelo Brasil - o que, aliás, corresponde todo o volume exportado pelo Mercosul. Segundo Newton, o acordo teria o poder de compensar em boa medida os prejuízos suportados pelos exportadores com a desvalorização do Real frente ao dólar. As 120 mil toneladas livres significam uma redução de 3 euros em cada caixa de banana.
No Ceará, a Del Monte é menor em bananas do que no vizinho Rio Grande do Norte. Aqui, apenas 255 hectares. Lá, 1 mil hectares. No Ceará, começou há três semanas com a compra de propriedade. No geral, porém, maior no Ceará. Emprega no estado mais do que muita indústria. São 3,5 mil empregos diretos. O forte é o melão. São 1,5 mil hectares. No Rio Grande do Norte emprega 1.700 pessoas.
Fonte: Coluna Vertical S/A, Jocélio Leal - Jornal O POVO


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