1 de abril de 2010
Rede de Aquicultura vai integrar Américas

Confira a entrevista do ministro da Pesca e Aquicultura, Altemir Gregolin, ao programa Bom Dia Ministro, que foi ar esta semana.
O Brasil se comprometeu em investir nos próximos anos pelo menos US$ 1 milhão para dar suporte à rede de Aquicultura das Américas. A primeira ação da rede é o apoio ao desenvolvimento da cultura no Haiti. Os países da América irão colaborar e contribuir com transferência de tecnologias e capacitação para que possam produzir alimento saudável para a população.
A segunda é promover eventos para discutir as tecnologias hoje disponíveis para produção aquícola, mercado consumidor e legislação. O Brasil é uma referência em relação à legislação para a produção em reservatório de hidrelétrica. A nossa política de democratizar o acesso às águas nos reservatórios hidrelétricos e na costa marítima despertou interesse mundial sobre o modelo de aquicultura em águas da União e águas públicas.
A rede vai ser muito útil para difundir todas essas medidas positivas que o Brasil e os outros países adotam.
Temos um potencial fantástico de produção em toda a América. Temos o oceano Atlântico e o oceano Pacífico e a maior reserva de água doce do mundo – com destaque para a Amazônia.
Portanto, temos muita água e condições de produzir uma proteína nobre e saudável para alimentar a população mundial. Na medida em que há uma necessidade cada vez maior de alimentos, a produção de peixes cultivados é cada vez mais importante e estratégica.

Consumo de peixes cresce em todo o mundo
Ao aumentar o consumo vamos garantir mais qualidade de vida para as pessoas que consomem peixe e criar melhores condições para aumentar a produção e desenvolver o grande potencial do Brasil. Hoje produzimos um milhão de toneladas e temos capacidade de produzir 20 milhões.
As pessoas estão diminuindo o consumo de carne vermelha e aumentando o de carnes brancas. Esse é um movimento que ocorre em todo mundo, inclusive no Brasil. No ano passado, por exemplo, importamos 230 mil toneladas de pescado. Precisamos estimular o consumo. Em torno de 20% do consumo de pescado no País foi importado.
Temos adotado várias medidas para isso, como a semana e as feiras dos peixes, além dos mercados e caminhões do peixe.
Precisamos estruturar a cadeia produtiva para termos mais produtividade e assim um pescado com preço final menor. Para conseguir garantir a quantidade de peixes que vem com o aumento do consumo o ministério está entregando títulos de cessão em grandes reservatórios. No Ceará 640 famílias já produzem no reservatório Castanhão.
Pelo Pronaf Mais Alimentos, estamos financiando a produção, a pesca e especialmente a revitalização da frota artesanal. O Pronaf é uma linha de crédito de até R$ 100 mil, com dez anos para pagar, três anos de carência, e apenas 2% de juros ao ano. E em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), investimos em assistência técnica, que é fundamental para a produção.
Criação da Embrapa Aquicultura e Pesca fortalece setor
Não se desenvolve um setor sem pesquisas e tecnologias. Sempre faço uma comparação com a questão da agricultura. O Brasil hoje é líder em vários produtos, em âmbito mundial, devido a três medidas: a criação do Sistema Nacional de Crédito Rural em 1967, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em 1973 e da Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Embrater) em 1975. Esse tripé de política agrícola impulsionou o desenvolvimento da agricultura brasileira.
Agora fazemos o mesmo com a aquicultura, a partir da criação da Embrapa Aquicultura e Pesca. Com a nova empresa, que será um braço da Embrapa, poderemos desenvolver pesquisas e tecnologias para aumentar a produtividade e a renda dos produtores. Em 9 de abril lançaremos a pedra fundamental da empresa. A sede será em Tocantins, mas terá unidades regionais que também vão desenvolver pesquisas.
E, ao mesmo tempo, terá um plano nacional com foco nas principais espécies, concentrando esforços, energia e recursos no que é prioritário para o Brasil. Esse plano vai coordenar um sistema nacional de pesquisas que vai envolver não apenas unidades da Embrapa, mas também universidades e outras instituições de pesquisa. A criação da Embrapa Aquicultura e Pesca é uma das medidas mais relevantes que adotamos. Ela vem casada com outras ações, que foram a criação do Ministério da Pesca e Aquicultura, no ano passado, a aprovação da nova Lei da Pesca, a resolução do problema da cessão de águas da União, e a criação de cursos de nível médio e superior nessa área.
Fonte: Boletim Em Questão


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