23 de abril de 2010
Programa beneficia pequenos pecuaristas
Um grupo de criadores de bovinos em Icó município começa a colher os resultados do programa de inseminação artificial. Nas fazendas, nasceram os primeiros bezerros de alta qualidade genética. Os resultados são comemorados por técnicos da Secretaria de Desenvolvimento da Agricultura e de Recursos Hídricos e por produtores rurais. O programa tem por objetivo melhorar a qualidade dos animais, aumentar a produtividade leiteira e ampliar a renda no campo.
Diz o ditado popular "Quem planta, colhe". Os criadores que aderiram à primeira etapa do programa de inseminação artificial em bovinos estão colhendo os primeiros frutos. São animais de porte elevado que chamam a atenção dos produtores. O clima é de entusiasmo. "É uma parceria de sucesso entre a Prefeitura e os pequenos criadores", comemora o secretário de Agricultura do Município, Mailton Bezerra.
Os primeiros bezerros nasceram na propriedade de Francisco Kalebe, no Conjunto Gama, que fica em área do Perímetro Irrigado Icó - Lima Campos. "Foram duas crias, um macho e uma fêmea", comemorou Kalebe. "Estou muito satisfeito, pois são animais de excelente qualidade, da raça holandesa".
Cada cria que nasce provoca uma verdadeira correria entre os produtores. "A maioria quer ver o bezerro e fica admirado com o tamanho e a qualidade do animal", contou Mailton Bezerra. Poucos são os criadores que podem ter reprodutores de raça, de alta linhagem, pois têm preços elevados.
O programa foi lançado em maio de 2009, após uma série de reuniões com os criadores e técnicos da empresa Alta Genética, fornecedora das doses de sêmen. Houve sensibilização e explicações técnicas sobre o projeto e o seu funcionamento. "Realizamos 40 encontros em várias localidades rurais", contou Mailton Bezerra. "Todos os criadores podem participar, sem nenhum custo".
Animais saudáveis
A Secretaria de Agricultura exige apenas que as matrizes, isto é, as vacas que vão receber o sêmen, sejam animais saudáveis, vacinados, vermifugados e de um porte adequado. O rebanho do município é estimado em 35 mil cabeças de bovinos.
Inicialmente, foram adquiridas 300 doses de sêmen. Todos os custos são por conta do Município, que montou uma estrutura adequada com um Disk Inseminação, contratação de uma equipe técnica, transporte e aquisição de equipamentos de conservação.
Em 2009, foram inseminadas 152 vacas, atendendo a 78 criadores. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura, o índice de prenhez é de 60%. O programa continuou em 2010.
"A nossa previsão é de que no decorrer deste ano nasçam 150 animais de alta qualidade", disse Mailton Bezerra. "Em março passado, nasceram dez bezerros", comemora ele. O secretário destaca também que o programa vai contribuir para o desenvolvimento da cadeia produtiva do leite. "Esse é o nosso maior objetivo", frisou. "Em quatro anos, vamos ter um avanço significativo na melhoria do rebanho bovino".
Doses de sêmen
Atualmente, o índice de produtividade de leite é considerado muito baixo, uma média diária de três litros de leite por cabeça. "A meta é passar de 10 litros/dia", afirma Mailton Bezerra.
Para 2010, foram adquiridas mais 300 doses de sêmen. "É um esforço da nossa administração, porque acreditamos na viabilidade do programa para melhorar a vida dos criadores e a economia do Município", frisou o prefeito Marcos Nunes.
A Prefeitura de Icó já adquiriu um banco de sêmen e a Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado três. Neste semestre, mais quatro serão comprados pelas duas instituições para atender à demanda local.
O programa tem também o apoio da Ematerce. Em face dos primeiros resultados colhidos, alguns criadores já estão formando grupos para aquisição por conta própria de doses de sêmen. "Esse é um aspecto educacional do projeto", observa o técnico em agropecuária, Edilson de Souza.
Os técnicos Souza e José Francisco das Chagas Júnior são os responsáveis pela inseminação artificial dos animais diretamente nos currais e estábulos.
"Nós orientamos os criadores a conhecerem quando as vacas estão no período de cio", disse José Francisco. "Os produtores ligam para a Secretaria e vamos até a fazenda para fazer a inseminação", explica, provando a viabilidade do projeto.
Fonte: Caderno Regional – Diário do Nordeste



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