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14 de maio de 2010

Preço da banana cai 60% na produção do Centro-Sul

Os produtores de banana nanica, conhecida por casca verde, na região Centro-Sul, enfrentam crise por falta de compradores e redução média de 60% no preço do quilo do produto. As frutas estão amontoadas no chão. Alguns agricultores tomaram uma decisão drástica: estão eliminando o plantio para substituir por outra variedade ou por outra cultura.

O desestímulo é evidente entre a maioria dos produtores. A crise atinge tradicionais áreas de produção, nas várzeas do Rio Jaguaribe, localizadas em Iguatu, Jucás e Cariús. A crise que se agravou, desde março passado, é considerada a maior dos últimos 20 anos.

Na localidade de Cardoso, zona rural deste município, o produtor Joaquim Soares da Silva, quarta-feira passada, tomou uma decisão inédita, que lhe provocou tristeza. Ele começou a cortar seis hectares de banana nanica. "Trabalho há 24 anos nesta área e sempre produzi, mas essa é a primeira vez que estou acabando com o que plantei", disse. "Foi uma decisão difícil, mas fui obrigado".

Soares quer substituir a banana por feijão. Com a roçadeira amolada em mãos passou o dia cortando pés de banana. "Em um minuto corto cinco, seis, o que esperei um ano para nascer e produzir", disse com a voz embargada e os olhos marejados. Há mais de 20 anos, ele veio morar e trabalhar neste município, na companhia do irmão, Antônio Airton Soares. Os dois vieram de Palmácia, onde também cultivavam banana.

Variação de valor

Em Iguatu, os irmãos Soares continuaram produzindo banana. "Nunca vi uma crise como esta", disse Airton Soares. "Ainda não decidi cortar os pés, mas não consigo vender o que estou produzindo". Segundo dados apresentados pelos produtores, em maio de 2009, o quilo da banana nanica variava entre R$ 0,25 e R$ 0,30, mas hoje está entre R$ 0,09 e R$ 0,12. O milheiro oscilava entre R$ 40,00 e 50,00 e agora custa entre R$ 25,00 e 30,00.

De acordo com levantamento realizado pela Secretaria de Agricultura de Iguatu, em 2009, havia 520 hectares de banana nanica em produção. A característica local é de pequenas áreas de produção, que reúnem centenas de produtores.

Em Iguatu, as áreas de produção do fruto estendem-se ao longo das duas margens do Rio Jaguaribe até a localidade de Barro Alto. A maioria dos produtores fica esperando o comprador aparecer e estabelecer o preço que desejar.

Expectativa menor

O produtor Gerlan Bezerra explica que a crise agravou-se nos últimos 60 dias. O pai, Francalino Bezerra, é um dos mais antigos produtores de banana na região. Na localidade de Cardoso, os dois cultivavam 20 hectares. "Já acabei com três hectares e vamos acabar com mais", contou. "Não adianta manter uma coisa que não se vende".

Para este período invernoso, Gerlan Bezerra esperava vender 600 milheiros para a indústria de doces. A expectativa foi reduzida em 70%. Francalino Bezerra também eliminou três hectares de cultivo de banana na localidade de Barro Alto, onde mantém uma unidade de produção juntamente com três sócios. "A última venda que fiz foi em janeiro passado de seis mil quilos", contou. "Em dois hectares, já coloquei o gado dentro".

O prejuízo deixou o antigo produtor com tristeza profunda no coração. "Não vejo solução para o nosso problema", disse. "O governo brasileiro ajuda outros países em crise, mas não há ajuda para nós, pequenos produtores". Em 20 anos de trabalho, Francalino Bezerra disse que não ganhou dinheiro com banana. "Além de não ter preço e venda, a mão-de-obra no campo está difícil", frisou. Apesar da crise, ele vai manter uma área de cinco hectares de banana da variedade Pacovan, que tem mais facilidade de venda.

O produtor Murilo Barroso, da Associação dos Fruticultores Iguatuenses, disse que é comum ocorrer dificuldade de venda no início do ano. Porém, agora, está se prolongando. "Esperamos que, a partir de junho, ocorra uma reação". Ele criticou o sistema de produção. "A falta de organização beneficia os atravessadores que impõem aos produtores locais preço reduzido e só compram quando querem. Precisamos mudar isto".

Produtores apostam que crise será passageira

A crise que afeta a produção de banana nanica na região Centro-Sul provocada por elevada queda no preço do produto e por falta de compradores pode ser passageira. Essa é a avaliação de um grupo de produtores que também enfrenta dificuldades, mas em escala reduzida, em comparação com outros agricultores.

Aqueles produtores que conquistaram mercado em municípios de outra região ou Estados vizinhos são afetados de forma diferenciada. É o caso de Armando de Souza, conhecido por Maninho, que também trabalha como vendedor da fruta. "O que nos prejudicou foi a queda no preço", disse. "Não tive dificuldade para vender a minha produção de 10 hectares".

Nesta semana, ele comprou banana nanica de 13 produtores, além de escoar a produção própria. Consegue vender para indústrias localizadas nas cidades de Ipaumirim (CE); Souza (PB); e Bezerros (PE). Abastece também parte do mercado de Tauá, na região dos Inhamuns.

Maninho confirma que nunca passou por uma crise como a atual. "A falta de compradores ocorre desde outubro passado, mas se agravou nos últimos 60 dias", disse. Ele prevê que com a chegada da Cigatoka Amarela, uma doença sazonal que costuma atacar parte do plantio, e a queda que está ocorrendo na produção, em face do abandono das áreas de cultivo, o preço do produto vai reagir logo.

Novos projetos

O produtor Gerlan Bezerra também estima que em três meses a crise deva passar. "A produção vai cair e o preço deve melhorar", disse ele. "Já que muitos estão desistindo, faltará fruto no mercado".

O produtor Maninho acredita que a crise é decorrente do aumento da produção de banana nanica a partir da implantação de novos projetos na Paraíba e em Pernambuco. "Isso afetou o nosso mercado, pois tradicionalmente somos exportadores do fruto para esses dois Estados". A Associação dos Fruticultores Iguatuenses tem 130 hectares implantados, sendo 90% de banana nanica.


Fonte: Caderno Regional – Diário do Nordeste

Postado por autor: agropolos em   Notícias.  marcador Tags  Fruticultura.

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