27 de abril de 2010
Ponto intermediário é preciso
"Não se deve fechar as portas para novos empreendimentos, mas ter uma avaliação dos seus impactos ambientais e buscar um ponto intermediário", pondera o pesquisador do Laboratório de Estudos em Competitividade e Sustentabilidade (Lecos), José Carlos Lázaro.
Ele, que é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), acredita que é preciso buscar o desenvolvimento econômico do estado, mas em moldes onde a preocupação com o meio ambiente seja uma constante. Mas, sem radicalismos.
Conflito
Segundo Lázaro, existe hoje um conflito entre o desejo de desenvolvimento e o estado atual de desenvolvimento do Ceará. É o difícil impasse entre o que deve e o que não deve ser levado adiante por aqui.
"A legislação é um reflexo da sociedade que se quer. E a legislação ambiental vem com olho em sociedades com desenvolvimento mais avançado, e há um curto-circuito de informações quando elas chegam aqui, há ainda uma lacuna a ser preenchida", explica ele.
Térmicas e resorts
O pesquisador defende, mas com ressalvas, dois tipos de empreendimentos que normalmente geram muita polêmica por onde se instalam - e que, aqui em terras alencarinas, não foi diferente. É o caso de térmicas a carvão e dos resorts.
"A termoelétrica a carvão, por exemplo, não tem como não investir nesse tipo de empreendimento, pela questão da necessidade de segurança energética", justifica. Mas ele logo esclarece: "Contudo, é preciso buscar, hoje, as tecnologias mais limpas possíveis".
A Energia Pecém, termelétrica em construção no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), enfrentou duas liminares contra a sua instalação, por ser um projeto que tem como redutor energético o carvão mineral, considerado um dos maiores poluentes do ar. Entretanto, os pedidos foram, ao final, revogados, e a usina continua em construção, e deve ser concluída no próximo ano. Em relação à construção de resorts no litoral cearense, o pesquisador tem posicionamento semelhante. Estes projetos passaram por ações judiciais que questionavam as suas respectivas localização.
Apesar de contarem com licenças ambientais, alguns dos principais resorts planejados para o Estado tiveram suas obras embargadas por uma interpretação judicial que impede construções em qualquer área de dunas móveis. Entretanto, a decisão acabou sendo pela continuidade das obras.
Lázaro não defende a instalação destes grandes hotéis em dunas móveis, mas destaca que são empreendimentos que não devem ser descartados, e que podem se adequar a uma regra ambiental que não gere grandes impactos ao meio ambiente.
O pesquisador da UFC acredita que, atualmente, é bem mais possível unir o desenvolvimento econômico com uma gestão ambiental adequada do que em períodos passados. "Hoje, existe todo um ambiente externo de auto-exigência ambiental. As empresas, sobretudo as grandes, possuem mais capital para investir no meio ambiente, há uma nova visão sobre segurança e risco de não romper com questões ambientais", faz questão de esclarecer.
"Por isso, Estado nenhum hoje deve buscar empresas com baixos padrões ético-ambientais", completa.
Fonte: Diário do Nordeste


Tags
imprimir
enviar por email
RSS -