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5 de fevereiro de 2010

MPA quer pacto pela carcinicultura

Foto camarao

Com produção em torno de 65 mil toneladas, por ano, de camarão de cativeiro, 35% a menos do que já que registrou no início desta década, o Brasil parte, enfim, em busca da solução dos conflitos ambientais, entre órgãos reguladores do meio ambiente, carcinicultores e pescadores, numa tentativa de soerguer o setor. Para tanto, o recém criado Ministério da Pesca e da Aquicultura (MPA) vem buscando reunir os diversos segmentos, para formulação de um pacto de cooperação que viabilize uma produção sustentável, mas sem agressões ao meio ambiente, a exemplo do que fez o Equador. Hoje, Rio Grande do Norte e Ceará são os maiores produtores de camarão do País, com produções de 27 mil e 22 mil toneladas, respectivamente.

"O Equador foi um grande produtor, teve a sua produção de camarão praticamente dizimada, reduzida a 10%, mas conseguiu se reerguer por completo, a partir da regularização fundiária dos produtores", explicou o secretário de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura, do Ministério da Pesca (MPA), Felipe Matias.

Para ele, esse é o caminho por onde deve trilhar o Brasil, que viu sua carcinicultura quase se acabar, diante de acusações de dumpping pelos Estados Unidos, da desvalorização do dólar frente ao real, da elevação dos custos de produção, decorrentes do aumento real do salário mínimo, além de enfermidades no camarão e problemas de meio ambiente. Em Fortaleza, onde participou na tarde de ontem, de palestra ministrada pelo Subsecretátio de Aquicultura do Equador, José Centanauro, Matias explicou que o Ceará e o Brasil têm muito a aprender com os carcinicultores equatorianos. "Eles vivenciaram e superaram os mesmos conflitos que hoje vivemos", disse Matias.

 "Primeiro, eles atacaram as enfermidades, com investimento em pesquisa e controle de doenças, porque não se acaba com as enfermidades, mas pode-se conviver com elas, a partir de ações de profilaxia", contou Matias. Daí, acrescenta, partiram para a regularização das terras e solução dos conflitos ambientais, o que, conforme disse, permitiu o Equador retomar a produção, estimada, hoje, em cerca de 165 mil toneladas, por ano.

"Hoje o Equador se reergueu por completo, está fazendo um amplo programa de regularização dos produtores de camarão", confirmou José Centanauro. Ele conta que em seu país, áreas de até 80 hectares com granjas de camarão são consideradas pequenas propriedades enquanto no Brasil, são consideradas grandes criatórios.

Para equacionar os problemas ambientais, explicou Centanaro, uma das ações do governo equatoriano, que antes cobrava até U$$ 5,2 mil, para regularização das terras, foi exigir contrapartidas de 5%, 10% e 20% das áreas dos viveiros, para fins de criação de mangues e correção dos impactos ambientais.

Rede de Aquicultura

No Brasil, aponta Matias, além de buscar mediações entre os diversos setores, o MPA está apoiando à formação da Rede de Aquicultura das Américas. Criada em junho passado, a entidade será formalizada no próximo dia 25 de março, em Brasília, com a adesão de 35 países membros, que agora se unem para desenvolver o setor.


Fonte: Diário do Nordeste

Postado por autor: agropolos em   Notícias.  marcador Tags  destaquecapa3AquiculturaCarcinicultura.

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