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16 de abril de 2010

Melão e bananas atraíram Koppert para o CE

Michel Allene, diretor da Koppert para o Brasil
Michel Allene, diretor da Koppert para o Brasil

Fundado em 1976, o grupo tansnacional de origem holandesa Koppert Biological Systems, líder mundial na produção de insumos biológicos aplicados à agricultura, conta com 18 escritórios próprios, uma rede de 40 distribuidores e três fábricas ao redor do mundo. Na América Latina está presente no México, Chile e Equador e está em fase final de instalação de uma unidade na Argentina.  

Faltava o Brasil. Inicialmente cogitou-se a capital paulista e Campinas, além da Bahia. Mas foi a produção de melão do Ceará, a logística do Estado – os portos, além de Fortaleza ser o ponto mais próximo da Europa - e o apoio da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece) que fizeram a empresa optar pela capital cearense para sediar seu escritório brasileiro.

O processo de abertura do escritório em Fortaleza começou há cerca de três anos, como informa Michel Allene, diretor da Koppert para o Brasil, que está em Fortaleza para finalizar o processo de instalação da unidade brasileira e contratar o engenheiro agrônomo que ficará à frente do escritório, como é política da Koppert, de colocar um profissional local para comandar suas operações naquele país.

O francês Allene trabalha para a Koppert há 25 anos, quando da abertura da unidade da empresa holandesa na França, em 1985. Era o segundo emprego dele como engenheiro agrônomo. Antes de se formar em agronomia, já tinha se graduado como biólogo e como tal foi professor de escolas secundárias em seu país por dois anos.

Mas não foi sua posição na Koppert que fez seu interesse pelo Brasil despertar. Foi muito tempo antes, como ele mesmo ressalta. Aos 17 anos, tocava guitarra (e ainda toca), conheceu a Bossa Nova e voilá! nascia assim sua paixão pelo nosso país. E Allene mostrou suas habilidades como guitarrista e seu domínio daquele ritmo brasileiro no jantar que lhe foi oferecido pela Adece na segunda-feira, 12.

Outra paixão verde e amarela deste francês é pela seleção de futebol. Não à toa, ele se considerava “embaixador”, como ele mesmo se auto-intitula, do Brasil junto à companhia para a qual trabalha.

VOLUNTÁRIO

Depois de responder pela Koppert no Norte da África, quando da abertura de um escritório no Marrocos, em 2006, chegou a vez da empresa começar os estudos sobre a viabilidade de instalar-se no Brasil, devido ao cenário positivo do país. Ao ser informado dos novos planos, Allene colocou-se à disposição para encabeçar a nova empreitada. “Eu disse que queria ser voluntário para dirigir as operações de instalação aqui”, diz.

Ele veio ao Brasil pela primeira vez em 2007, quando começaram as negociações para abertura do escritório no país, o que requer negociações com os Ministérios da Saúde, Meio Ambiente e Agricultura, esclarece. Perguntado sobre a burocracia brasileira, em virtude da demora em abrir o escritório no país, Allene diz que não considera o Brasil muito burocrático, “não mais do que qualquer outro país”, comparou.

BANANAS

O Ceará foi escolhido, disse Allene, em virtude da sua produção de melão, produto que a Koppert conhece bem e tem vasta experiência. Em segundo lugar, devido à questão de logística, facilitada pelos portos cearenses e sua proximidade com a Europa, já que a maioria dos produtos da Koppert são organismos vivos e delicados, que são empacotados cuidadosamente. A cadeia de distribuição é desenhada de forma que os produtos cheguem ao consumidor final no menor espaço de tempo possível. E o terceiro motivo tem sido o largo apoio da Adece. “Temos ótimas relações com a Adece”, como frisa com frequência.

Mas tem ainda um quarto fator que fez a empresa holandesa optar pelo Ceará: bananas. Não as plantadas em solo cearense, mas produzidas na Guiana Francesa, que ainda pertence à França. Segundo Allene, o clima e o solo da Guiana Francesa são muito parecidos com os brasileiros e os problemas com o cultivo de banana sã virtualmente os mesmos.

Mas isso só será possível porque a Guiana Francesa permite retirar do país organismos vivos, de acordo com os procedimentos europeus - no Brasil, isso não é possível. Assim, a partir de pesquisas feitas com os organismos retirados de lá, será possível encontrar soluções para os produtores brasileiros. “Banana é um grande, grande mercado”, diz Allene.

FÁBRICA NO BRASIL

Indagado em quais outros segmentos a Koppert pretende atuar no Brasil, Allene diz que o foco incialmente será melão e banana, mas que depois serão feitas pesquisas sobre outras áreas de atuação. Informa ainda que como nos primeiros anos de operação no Brasil serão voltados exclusivamente para a importação de fungicidas, nematicidas e inseticidas à base de insumos biológicos e polinização natural. Ao ser perguntado se está nos planos da Koppert abrir uma fábrica no Brasil, ele diz que caso isso venha a acontecer só será depois de 2014 e garantiu que fábrica seria também no Ceará.






Postado por autor: agropolos em   Notícias.  marcador Tags  Fruticulturadestaquecapa2.

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