30 de março de 2010
Angola busca parcerias comerciais no Ceará
O ministro conselheiro da embaixada de Angola no Brasil, Mateus Barros José, reuniu-se com lideranças da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Na pauta, o estreitamento das relações mercadológicas entre o país africano e o Estado
As relações comerciais entre o Ceará e Angola serão estreitadas. O ministro conselheiro da embaixada da República de Angola no Brasil, Mateus Barros José, reuniu-se ontem com parte da diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). O resultado do encontro foi o compromisso de preparar os empresários cearenses para obterem bons negócios na Feira Internacional de Luanda (Filda 2010), que ocorre em julho.
A Fiec vai liderar uma missão empresarial à Filda. Mas antes serão realizadas ações a fim de preparar um ambiente favorável ao contexto angolano. A proposta é conhecer o potencial do mercado, os setores importantes e os empresários da indústria do Ceará que podem absolver esse mercado.
Após a reunião e acompanhada por O POVO , o conselheiro falou à reportagem sobre as intenções comerciais junto ao Ceará. "Nossa missão no Ceará é envolver o estado para que tenha benefícios do eixo das relações de cooperação, além do setor econômico e comercial que temos com o País. Que empresas do estado do Ceará tenham também uma participação ativa neste comboio bilateral ", comentou o ministro.
O representante da embaixada angolana destacou que a visita de cortesia à Fiec teve o claro propósito de identificar parceiros: "Viemos para dizer ao presidente (Roberto Macêdo) que Angola está aberta, está interessada em receber empresários do Ceará".
As relações comerciais entre Ceará e Angola estão em fase inicial, por isso, as intenções apontadas pelas partes foram de inserir o Estado neste intercâmbio, assim com já participam Pernambuco, Salvador, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. "O Ceará também é parte importante, até porque está muito mais próximo do continente africano", ressaltou José.
O superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN), Eduardo Bezerra, demonstrou satisfação com o encontro, que foi apontado como um passo para uma forte aproximação comercial. "Angola se apresenta ao estado do Ceará. Estamos pensando em negócios de interesse dos dois lados", comentou Bezerra.
Ele preferiu não citar números, mas disse estar confiante em sólidas e rentáveis parcerias. "Nós não deveremos olhar para número algum agora. Deveremos olhar para o que vem no futuro. Tudo está por construir. Temos que construir uma realidade nova", proferiu.
Desinformação
Dar atenção a Angola é uma atitude avaliada positivamente pelo presidente do Conselho das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, Rômulo Alexandre Soares, que também compôs a mesa. Mas fez ressalvas: "Há uma desinformação muito grande sobre esse mercado. As pessoas desconhecem. Sabem que é um país rico, cheio de oportunidades, mas informações mais concretas não há", comentou.
COMÉRCIO EXTERIOR
TRÂNSITO. Trânsito marítimo entre Fortaleza e Angola foi reduzido. Agora, são 17 dias, com a nova logística. Antes, chegava a 40 dias.
IMPORTÂNCIA. Dos oito países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Angola é a terceira economia mais importante, atrás de Brasil e Portugal.
CRESCIMENTO. Antes do setembro de 2008, o estopim da crise financeira internacional, Angola crescia, em média, 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2009, cresceu 4,9%. Em 2010, a expectativa é crescer de 12% a 13% do PIB.
PETRÓLEO. Angola produz cerca de dois milhões de barris por dia, desde 2008. A Petrobras é parceira da Sonangol (Sociedade Nacional dos Combustíveis de Angola).
Fonte: Jornal O POVO


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